quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CEM SONETOS DE EROS

Cidade louca de emoções profanas,


Teu corpo, esse lugar do meu desejo,


Não é o meu desejo de verdade;

O meu desejo oculto é um lugar

Que falta no lugar de teu desejo,

Por isso teu vazio é meu desejo,

A verdade escondida do desejo

Que o desconhecimento desconhece.

Quando a cidade louca de teu corpo

Habita este planeta, a Musa antiga,

Que o alpinista escala com desejo,

Num deslizar contínuo de desejo,

Deseja teu desejo desejado,

Por outros que desejam teu desejo


                                Helder Alexandre Ferreira em 100SONETOS DE EROS


LXXXIII


E cheio de teus olhos nos meus olhos,
Eu tenho o coração cheio de sonhos,
E as mãos votivas do canto em que se alam
Os teus anadiomênicos retratos.


De toda crença o teu colo perfeito,
E feito de asas tênues teus cabelos
De toda inspiração são para mim
A forma delicada dos teus sonhos.


De toda terra enferma os sonhos meus
São estes sonhos mediterrâneos loucos,
Que desposam tua louca boca fria...


E votivos de sombras os palmares
De teus olhos dormitam na lonjura
Dessa pria deseta em mim queimante.


                      Helder Alexandre Ferreira em 100 SONETOS DE EROS.


LXXXIV





Nem mesmo o paraíso prometido
Te toque antes de mim que te amo mais
Que os sete selos do livro da vida;
Deslizas mansamente como água,


Ao meu amor tu mentes com doçura
Essa matéria acidental que eu sinto
No movimento doce do teu nome
À moda antiga das cartas de amor.


De todo grande amor, toda existência,
Eu sinto idéia clara apercebida,
E recordo, e contemplo, e devaneio...

Existe Deus na perfeição do amor...
Existe amor na perfeição do círculo....
A existência perfeita a ti pertence.


                                                  Helder Alexandre Ferreira em 100SONETOS DE EROS
                                                  Lilianagermanaalgarobanojardim em poeta diferente



                                                  





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