sábado, 13 de novembro de 2010

XVI

A voz que poderia ter sido e não foi:
Exílio da canção, a boca malferida,
A flor do láscio foi pela infernal descida,
A voz bem martelada agora ficou muda.


A voz que já cantou de amor atento agora,
Privou a via láctea de luz e energia;
A voz sumiu; e os homens tombam pelas ruas,
São mortos, sufocados por serpentes nuas...


Aquele antigo estilo aguado da canção,
Lá no perau profundo ardente de paixão,
A voz sumiu privando os loucos da janela...


A pane emudeceu a boca das sereias,
Que para ouvi-las as estrelas ficam mudas,
A voz sumiu no triângulo das bermudas.

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